Começando no vinho: o que fazer na hora de escolher entre vinhos finos e de mesa?

Para quem está começando no mundo do vinho, um dos principais desafios é o de escolher o vinho ideal, diante de tantas opções. Alternativas não faltam. Brasileiro ou importado? Branco, tinto ou rosé? Qual produtor? Estas são apenas algumas das perguntas que quem está iniciando enfrenta.

E a escolha de qual uva é um desafio adicional. São tantas opções que o consumidor fica ainda mais perdido. Cada uva, seja ela branca como a Chardonnay ou tinta como a Pinot Noir, resulta em vinhos diferentes. Existem aqueles adequados para diferentes gostos, temperaturas ou harmonizações gastronômicas. Porém, no caso do Brasil, esta equação é ainda mais difícil.

Uvas europeias ou não

Se o Brasil tem algumas peculiaridades em tantas áreas, ao se falar de vinhos não poderia ser diferente. Isso porque, ao contrário de praticamente todo o resto do mundo, não é Vitis vinifera que dá as cartas no mercado brasileiro de vinho. Também chamadas de uvas europeias, as diversas variedades de Vitis vinifera dominam o cenário mundial do vinho, mas isso não ocorre no Brasil.

Além das mencionadas anteriormente, pense em Cabernet Sauvignon, Syrah, Merlot, Riesling e outras uvas que você pode encontrar no rótulo de vinhos importados e alguns vinhos nacionais. Todas eles são, na linguagem usada no Brasil, elaborados a partir de uvas europeias. E isso não muda de acordo com seu local de produção, seja ele na Europa, América, Oceania ou et. Independentemente da localização do vinhedo, são sempre uvas europeias.

Vinhos finos versus vinhos de mesa

Por conta desta peculiaridade do mercado brasileiro, os rótulos de vinhos produzidos a partir de uvas europeias sempre incluem o termo “vinho fino”. E isso serve para diferenciá-los daqueles elaborados com a presença de uvas americanas ou híbridas, que são chamados de “vinhos de mesa”.

Embora sejam bastante tradicionais no Brasil, até por conta da imigração europeia no Sul e Sudeste do país, estas uvas são raramente usadas para produzir vinhos fora do Brasil. A resposta para isso é praticamente unânime: estes vinhos não têm, em geral, o mesmo padrão de qualidade daqueles elaborados a partir de uvas europeias.

Preconceito?

Esta questão de vinhos finos versus vinhos de mesa desperta discussões acaloradas no Brasil. Obviamente cada um escolhe o vinho que quer beber. Ou que pode pagar, pois os vinhos de mesa pesam muito menos no bolso do consumidor. Mas temos que usar um pouco de bom senso, não ficar somente no emocional.

O Brasil é apenas o 18º maior produtor de vinhos do mundo. É difícil imaginar que estejamos na vanguarda ao ter um mercado dominado por vinhos de mesa, elaborados com uvas que não são cultivadas de forma extensiva para a produção de vinhos em outras partes do mundo. Na União Europeia, por exemplo, o uso do termo vinho é exclusivo para aqueles elaborados a partir de uvas europeias.

Escolhendo o vinho

Dentro deste contexto, quem está começando no vinho tem que entender esta diferença. Já conheci muitas pessoas que afirmaram que não gostavam de vinho e, ao investigar o que provaram, haviam consumido vinhos de mesa. Embora haja quem dê preferência a eles (são em geral mais doces e simples) não há como o consumo de vinho crescer no Brasil sem que isso passe por maior consumo de vinhos finos.

Portanto, na hora de escolher um vinho, opte pelos vinhos finos. Caso já esteja acostumado aos vinhos de mesa, faça o teste e prove os dois, lado a lado. Obviamente, a escolha é sua, mas tenha em mente que beber vinhos, em qualquer lugar do mundo, passa pela descoberta do quase infinito universo dos vinhos elaborados a partir de variedades da Vitis vinifera.     

Imagem: Tachina Lee via Unsplash

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