Conheça Chambolle-Musigny, o vilarejo dos vinhos mais elegantes do mundo

A Borgonha tem a reputação de ser a origem de alguns dos melhores vinhos do mundo. Dentro desta icônica região francesa, porém, existe quase um consenso: a fonte de seus vinhos mais elegantes. Elaborados em sua imensa maioria a partir da Pinot Noir, estes vinhos são provenientes do vilarejo de Chambolle-Musigny, que também dá nome a esta pequena, mas disputada denominação de origem.

Esta denominação de origem, ao contrário de outras na Borgonha, fica inteiramente dentro de apenas uma commune (Chambolle-Musigny). Porém, uma pequena parcela de um de seus vinhedos Grand Cru (Bonnes Mares) se situa dentro do território de Morey-Saint-Denis. No total, são cerca de 165 hectares de vinhedos, plantados inteiramente com Pinot Noir, com uma pequena exceção. O outro vinhedo Grand Cru lá situado (Musigny) tem uma pequena parcela de Chardonnay. Juntamente com Corton, é um dos dois únicos Grands Crus da Côte d’Or que pode elaborar vinhos brancos e tintos.

História

Como muitas regiões da Côte d’Or, os principais vinhedos de Chambolle-Musigny têm uma forte ligação histórica com as ordens religiosas. Os cistercienses receberam e adquiriram terras na região a partir de 1.100 d.C, inclusive em Chambolle-Musigny, expandindo seus vinhedos de Clos de Vougeot. A grande maioria destes vinhedos ficou sob controle da igreja até a Revolução Francesa.

Após a venda dos vinhedos por conta da Revolução, alguns dos climats e lieux-dits continuaram a se destacar pela qualidade de seus vinhos. Tanto que até o nome de seu mais famoso vinhedo foi utilizado para complementar o nome do vilarejo. O nome Chambolle deriva do francês Champ Bouillant (campo em ebulição), por conta das águas torrenciais que o alagavam em períodos de chuva intensa.

Porém, em 1878 o vilarejo teve seu nome mudado para Chambolle-Musigny, com adição do nome de seu vinhedo mais bem avaliado. Como parte da classificação das principais regiões vinícolas francesas, a denominação de origem foi criada em 1936, e seus dois principais vinhedos Grand Cru ganharam este status.

Geografia e geologia

Chambolle-Musigny fica no coração da Côte d’Or, a cerca de 20 quilômetros de Dijon (ao norte) e 22 quilômetros de Beaune (ao sul). Ao contrário de muitos outros vilarejos da Côte d’Or seus vinhedos Grand Cru não estão tão próximos. Bonnes Mares está situado ao norte, na divisa com Morey-Saint-Denis, enquanto Musigny fica no outro extremo, próximo a Echézeaux e Clos de Vougeot. Entre eles existe um faixa de vinhedos classificados como Premier Cru, representados em laranja no mapa abaixo.

O vilarejo em si fica situado logo na saída da Combe d’Ambin, uma falha geológica. Ela garante a livre circulação de ar fresco a partir da região mais elevada, a Haute Côtes de Nuits, o que impacta de forma significativa na qualidade dos vinhos. Além disso, a Combe d’Ambin garante uma composição distinta de solos, por conta dos depósitos aluviais que se formaram a partir das enchentes que deram nome ao vilarejo. No limite sul da denominação de origem há outra falha, a Combe d’Orveau.

Vinhedos

São cerca de 165 hectares de vinhedos, dos quais 25,9 ha (17%) classificados como Grand Cru, 61,2 ha (40%) como Premier Cru e o restante dentro da denominação Chambolle-Musigny Village. A produção total anual é de cerca de 6.500 hectolitros, o que corresponde a apenas 9% do total da Côte de Nuits e cerca de um terço do que é produzido em Gevrey-Chambertin.

Seu vinhedo mais conceituado, Musigny, tem 9,72 hectares de extensão, com a vasta maioria plantada com Pinot Noir (0,66 hectare é plantado com Chardonnay, exclusivamente pela Domaine Comte Georges de Vogüé). Já Bonnes Mares tem 15 hectares (um dos maiores Grands Crus da Côte d’Or) e até pela sua maior área, tem diferentes terroirs, que acabam refletidos em seus vinhos.

Já dentre os 24 Premiers Crus, poucos discordam que o vinhedo de maior destaque seja Les Amoureuses. Os vinhos deste climat de 5,4 hectares são vendidos a preços ainda mais elevados que muitos Grands Crus. Destaque também para Les Cras, Combe d’Orveau e Les Baudes. Os demais são: Les Véroilles, Les Sentiers, Les Noirots, Les Lavrottes, Les Fuées, Aux Beaux Bruns, Aux Echanges, Les Charmes, Les Plantes, Aux Combottes, Derrière la Grange, Les Gruenchers, Les Groseilles, Les Combottes, Les Feusselottes, Les Chatelots, Les Carrières, Les Chabiots, Les Borniques e Les Hauts Doix.

Vinhos e produtores

Os vinhos de Chambolle-Musigny são considerados como os mais delicados e elegantes da Borgonha, sobretudo aqueles elaborados a partir dos climats Grand Cru e Premier Cru mais ao sul, como Musigny e Les Amoureuses.  São vinhos quase sempre descritos com expressões que destacam delicadeza e finesse, como, por exemplo, vinhos femininos e refinados, taninos nobres ou sutileza.

É uma denominação que atrai alguns dos melhores produtores da Borgonha, muitos dos quais com acesso aos principais vinhedos locais, embora com sede em outros vilarejos. Exemplos são Domaine Leroy, Bruno Clair e Nicolas Potel; ou négociants, como Faiveley, Jadot e Drouhin. Além disso, o vilarejo é sede também de vinícolas conceituadas, como Domaine Comte Georges de Vogüe, Roumier, Hudelot Noellat, JF. Mugnier, Ghislaine Barthod e Amiot Servelle, entres outras. Todas elas possuem parcelas distribuídas pelos principais vinhedos.

Fontes: World Atlas of Wine, Hugh Johnson; Burgundy Report; Vins de Bourgogne; Wine Scholar Guild; Mairie de Chambolle-Musigny

Mapa: Vins de Bourgogne

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