Consumo moderado de álcool: o que os países produtores de vinho da Europa têm a dizer

Não faltam discussões sobre os impactos do consumo excessivo de bebidas alcóolicas, e a percepção generalizada é que esta prática é muito ruim para a saúde, inclusive no que diz respeito à maior incidência de câncer. Mas quando esta discussão migra para o mundo do vinho, não parece haver um consenso.

Para alguns, por ser uma bebida alcóolica, o vinho também deve ser sujeito a controles mais estritos. Por outro lado, há quem afirme que o vinho é um caso especial, tendo um longo histórico de uso como remédio e alimento até um passado recente, além de diversos efeitos positivos sobre a saúde. Deste modo, será que o vinho aparece como vilão ou bandido nesta história? A resposta pode estar na quantidade e frequência de consumo.

Frequência de consumo de álcool

A Eurostat, agência que compila uma enorme quantidade de estatísticas sobre a Europa, publicou um estudo interessante. O objetivo era analisar os hábitos de consumo de álcool na Europa, tanto em termos de frequência, mas também regularidade e público consumidor. E os resultados foram surpreendentes.

A primeira estatística, referente a 2019, diz respeito à frequência de consumo de álcool. Dentre os países europeus analisados, Portugal aparece com a maior proporção de sua população consumindo álcool diariamente. Cerca de 20,7% dos portugueses consomem álcool todos os dias, seguidos pelos espanhóis (13%) e italianos (12,1%). Curiosamente, tanto Itália como Portugal estão entre os três maiores consumidores per capita de vinho do mundo.

Segundo o estudo, em 2019 cerca 8,4% da população adulta da União Europeia (UE) consumia álcool diariamente. Já aqueles que consumiam com frequência semanal chegavam a 28,8%, com 22,8% bebendo ao menos uma vez por mês. Aproximadamente 26,2% nunca consumiram ou não beberam álcool nos últimos 12 meses.

Idade e bebedeiras

Uma outra estatística interessante é aquela que mede as faixas de idade que mais consomem álcool diariamente. Os resultados mostraram que o consumo diário de álcool cresce de acordo com o perfil etário. A menor parcela dos que consumiram álcool com maior frequência (ou seja, todos os dias) foi registrada entre as pessoas de 15 a 24 anos (1,0%). Por outro lado, a maior frequência (16%) ficou com as pessoas de 75 anos ou mais. No entanto, esta última faixa etária também foi responsável pela maior parcela de pessoas que nunca consumiram álcool ou não beberam nos últimos 12 meses, com 40,3%.

Beber frequentemente, porém, não significa beber muito. A Eurostat avaliou também as estatísticas do que chamaram de episódios de bebedeira pesada, definidos com eventos onde a pessoa consumiu mais do que o equivalente a 60 gramas de etanol puro em uma única ocasião. E os números novamente surpreenderam. Dentre os países da UE, os italianos, juntamente com os cipriotas, foram aqueles com menos episódios por mês, com apenas 4% dos entrevistados. Na outra ponta estavam os cidadãos da Dinamarca, com 38% das pessoas passando dos limites todos os meses, seguidos por Romênia (35%) e Luxemburgo (34%).

Consumo moderado

Os casos italiano e português parecem mostrar que consumo com moderação é possível. Com populações mais velhas e grande tradição na vinicultura, ambos aparecem entre os países com maior consumo diário, mas por outro lado, ficam muito abaixo da média europeia em eventos de consumo exagerado. Beber vinho de forma moderada parece ser a regra.

E parece também haver alguma relação entre consumo moderado de vinho e incidência de câncer. Os cinco países com maior consumo per capita de vinho ficam na Europa (Portugal, França, Itália, Suíça e Áustria, todos com consumo acima de 30 litros per capita por ano). E todos deles mostram uma taxa de mortalidade por câncer inferior à da União Europeia. Obviamente existem inúmeros fatores envolvidos, mas esta relação chama a atenção.

A discussão entre benefícios e efeitos negativos do consumo de vinho deve continuar por muito tempo, mas uma coisa é certa. Embora o papel do vinho tenha mudado nas últimas décadas, é difícil negar que ele faça parte de algumas das dietas mais saudáveis do mundo e que, quando consumido com moderação, não faltam estudos científicos indicando seu impacto positivo sobre a saúde.  

Fontes: One in twelve adults in the EU consumes alcohol every day; World Cancer Day: 1 in 4 deaths caused by cancer  

Imagem: Davey Gravy via Unsplash

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