Dicas para comprar melhor: vale a pena comprar vinhos premiados em concursos?

Vinhos premiados em concursos são uma boa compra? Esta é uma pergunta que pode parecer simples, mas que pede uma análise um pouco mais profunda antes de uma resposta direta. Afinal de contas, não são poucas as oportunidades nas quais o consumidor se depara com rótulos ou selinhos nas garrafas, sem contar uma imensidade de materiais publicitários, informando se tratar de um vinho “premiado”.

Você também já deve ter se deparado com alguma chamada ou matéria na imprensa ou mídias sociais destacando que um determinado vinho, brasileiro ou estrangeiro, ganhou muito destaque em um concurso. Outro dia, por exemplo, recebi um material publicitário que mencionava que um vinho feito na Serra Gaúcha, que custa cerca de R$ 90, havia sido escolhido como “o quinto melhor vinho do mundo”. Na garrafa, um selo enorme retratando essa “conquista”. Uma tremenda barganha ou uma picaretagem sem limites?

Qualidade dos concursos

A resposta é óbvia, mas vale a pena entender melhor como funcionam estes concursos. Eles são tantos e tão diversificados que merecem ser tratados de forma separada. Sim, existem concursos sérios e focados, onde há uma quantidade grande de vinhos e produtores envolvidos, além de um corpo de jurados capacitado e organizadores sem interesses comerciais conflitantes.

Porém, estes são exceções. A maioria dos tais concursos não passa de estratégia comercial disfarçada para trazer valor aos vinhos ou produtores que participam deles. Uma das coisas mais difíceis para um produtor de vinhos é obter uma reputação de qualidade, o que certamente vem com o passar do tempo para aqueles que trabalham direito e se dedicam anos para isso.

Mas existe uma forma mais simples: e seu eu fosse um produtor e participasse de um concurso de vinhos? Nele, “especialistas” julgariam o vinho de forma “isenta” e distribuiriam medalhas para os melhores vinhos. E, ao contrário das Olimpíadas, onde a medalha de ouro representa a conquista máxima, a escala de premiação incluísse várias qualificações acima do ouro, tipo o que vemos nos cartões de crédito, onde o gold card é o mais popular.

Picaretagem pura

Estão dados todos os ingredientes para enganar o consumidor. Em primeiro lugar, os concursos incluem apenas alguns vinhos, é ridículo falar de “quinto melhor vinho do mundo” se somente foram avaliados 100, 200 ou 500 vinhos. Seria como dizer que eu sou o melhor jogador de futebol do mundo só porque fui artilheiro do torneio de veteranos do condomínio.

Um segundo ponto a ser analisado é quem são os jurados e quais são os critérios usados para avaliar os vinhos. Os tais jurados são capacitados ou isentos? Os organizadores dos concursos são sérios ou somente oportunistas que cobram dos produtores participantes uma taxa e “retribuem” com um selo ou medalha que pode parecer relevante para um consumidor não especializado?

Separando o joio do trigo?

Para o consumidor, sobretudo aquele que está começando no mundo do vinho, o mais difícil é saber quais concursos são sérios e quais não. Mas isso é bem complicado, pois exige um esforço significativo de pesquisa. Por conta disso, na dúvida, a recomendação é evitar usar este tipo de informação na sua tomada de decisão sobre qual vinho comprar.

Sim, existem concursos sérios e que podem agregar valor, mas a maioria é pura jogada de marketing. Escolher um bom vinho passa, quase que necessariamente, pela escolha de um produtor de qualidade. E bons produtores não precisam recorrer a estratégias de marketing que os beneficiam, mas iludem o consumidor. Facilite sua escolha de vinhos seguindo um conselho simples: evite os tais vinhos premiados, a possibilidade de ser uma fraude é infinitamente maior do que ser uma barganha.        

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