Domaine de la Pousse d’Or: vinhedos de alta qualidade e busca das glórias do passado

La Pousse d’Or ou La Bousse d’Or? Esta pergunta – que é inclusive título de um livro sobre o vinhedo e a vinícola – é recorrente para quem quer entender melhor os vinhos da Borgonha. E a resposta não é única. O vinhedo, localizado no coração de Volnay e com uma longa tradição, chama-se Clos de La Bousse d’Or (embora tenha sido chamado de La Pousse d’Or entre 1913 e 1964). Já a vinícola, fundada em 1954 na sua versão atual, manteve o nome do vinhedo adotado na época.

Hoje a Domaine de La Pousse d’Or é, porém, muito mais do que este vinhedo histórico. Após viver um período dourado, sendo considerada por muitos como uma das melhores vinícolas na Borgonha nas décadas de 1980 e 1990, passou por um período complicado e agora renasce. Por conta da agressiva política de aquisição de vinhedos de seu proprietário atual, tem hoje presença também em muitos dos principais terroirs da Côte d’Or.

Duques, reis e magnatas

Os vinhedos de Volnay, em particular aquele hoje chamado de Clos de la Bousse d’Or, têm uma longa história. Há evidências de cultivo de uvas já na época romana, mas as primeiras referências históricas para La Bousse d’Or datam de 1272, época em que o vinhedo já era de posse dos Duques da Borgonha. Ele veio a mudar de mãos somente em 1477, quando os reis da França assumiram o controle da Borgonha.

A posse pela família real francesa seguiu até o início do século XVII, quando o vinhedo foi transferido para a Châtellenie de Beaune, que, por sua vez, manteve a propriedade até a Revolução Francesa. Daí em diante, foram diversos proprietários, inclusive Jacques-Marie Duvault Blochet, que na segunda metade do século XIX chegou a controlar mais de 130 hectares de vinhedos na Borgonha, incluindo, além da Bousse d’Or, também os vinhedos de Romanée-Conti e La Tâche.

A fase dourada

Após diversas mudanças de controle desde o século XIX, 1954 foi um ano importante. Marcou a criação da Domaine du Clos de la Pousse d’Or, por membros das famílias de Chavigné e de Lavoireille. O auge da vinícola começou, porém, em 1964, com sua aquisição por três famílias da Borgonha, os Ferté, Potel e Seysses.

Em 1970, Jacques Seysses vendeu a participação de sua família, na época de 50%, para investidores australianos, usando os recursos para investir na sua nova vinícola, a Domaine Dujac. Esta nova composição acionária durou até 1997, com Gérad Potel levando a Pousse d’Or ao rol dos melhores produtores da Borgonha.

Uma das salas de barricas da Domaine de La Pousse d’Or

Novos rumos

O ano de 1997, porém, marcou uma enorme mudança nos rumos da Domaine de la Pousse d’Or. Em meio às negociações de venda da fatia dos australianos para o magnata Patrick Landanger, Potel faleceu. Como consequência, Landanger, um empresário do ramo de equipamentos médicos, foi além de seus planos iniciais. Assumiu o controle total da Domaine de la Pousse d’Or, aquirindo inicialmente a parcela dos australianos e, logo depois, a parte das famílias Ferté e Potel.

Com os novos rumos, o interesse pelos vinhos da Pousse d’Or diminuiu de forma acentuada. Em paralelo, a nova gestão comandou uma significativa expansão na sua área de vinhedos. Nos últimos anos, porém, contando, além de novas parcelas Premier Cru e Grand Cru, também com a conversão de seus vinhedos para a agricultura biodinâmica e novas técnicas de vinificação, a Pousse d’Or tenta recuperar o prestígio do passado.

Agricultura

Atualmente, a Domaine de la Pousse d’Or trabalha a integridade de seus vinhedos com agricultura biodinâmica, com certificação Demeter desde 2018. No entanto, este foi um longo processo, que começou mesmo antes da aquisição da vinícola em 1997. Antes disso, Nicolas Potel, filho de Gérard, já havia iniciado o trabalho com as vinhas usando princípios orgânicos, que seguiu após a aquisição.

Mas foi somente a partir de 2014, com a chegada de Hubert Rossignol como chefe de vinhedos, que a Domaine de la Pousse d’Or atingiu um novo estágio. Em poucos anos, obteve tanto a certificação orgânica quanto biodinâmica.

Vinificação

Na vinificação, a Domaine de la Pousse d’Or segue, em grande parte, as práticas adotadas pelas principais vinícolas da Cõte d’Or, como uso de leveduras indígenas, fermentação em tanques de aço inox e estágio dos vinhos em barricas de 228 litros, por 12 meses, no caso dos vinhos tintos. Porém, nos últimos anos buscaram adequar seu estilo, com redução da proporção de barricas novas, de 30% para 20% a partir de 2017.

Além disso, desde 2015 a vinícola passou também a trabalhar com ânforas para o envelhecimento de seus vinhos, com destaque para aqueles de maior produção, provenientes da denominação de origem Volnay. Nestes casos, elaboram duas cuvées distintas, uma com estágio em carvalho e outra em ânforas, ambas com passagem por 12 meses.

Vinhedos

Embora boa parte da história da Domaine de la Pousse d’Or esteja estritamente associada ao climat Premier Cru Clos de la Bousse d’Or, de 2,13 hectares, atualmente a vinícola dispõe de uma ampla gama de vinhedos. Baseada em Volnay, é neste vilarejo que concentra a maior parte de seus vinhedos, com destaque para os quase cinco hectares em Les Caillerets, dos quais 2,39 hectares no monopole 60 Ouvrées.

Embora com áreas menores, possui diversas parcelas também em Chambolle-Musigny, com destaque para Les Amoureuses, Charmes, Feusselotes e Groseilles (todos anteriormente de posse da Domaine Moine-Hudelot). Boa parte da expansão nos últimos 30 anos, porém, foi em vinhedos Grand Cru, como parcelas em Bonnes Mares, Clos de la Roche, Corton Clos du Roi, Corton-Bressandes e, mais recentemente, Charmes-Chambertin.

Vinhos

O foco principal fica em vinhos elaborados a partir da Pinot Noir, proveniente de vinhedos Grand Cru e Premier Cru. Como citado anteriormente, suas principais cuvées provenientes de Volnay são atualmente engarrafadas em duas versões diferentes: uma com estágio em carvalho e outra em ânforas, que, em geral, se mostram mais florais e frescas. Além destes vinhos, chamam também a atenção as diversas cuvées elaboradas a partir de parcelas de vinhedos Grand Cru.

A produção de vinhos brancos, sempre a partir da Chardonnay, é em menor escala, embora a vinícola possua parcelas em climats como Puligny-Montrachet Premier Cru Caillerets e Chevalier-Montrachet Grand Cru.

Nome da VinícolaDomaine de Pousse d’OrEstabelecida1954 Website https://lapoussedor.fr/EnólogoBenoit LandangerUvasPinot Noir, ChardonnayÁrea de Vinhedos18 haSede da VinícolaVolnay (Bourgogne Franche Comte)DenominaçõesBonnes Mares Grand Cru, Clos de la Roche Grand Cru, Corton Clos du Roi Grand Cru, Corton Bressandes Grand Cru, Charmes-Chambertin Grand Cru, Chevalier-Montrachet Grand Cru, Volnay Premier Cru, Chambolle-Musigny, Chambole-Musigny Premier Cru, Pommard Premier Cru, Santenay Premier Cru, Puligny-Montrachet Premier Cru, Gevrey-Chambertin Premier CruPaísFrançaAgriculturaBiodinâmicaVinificaçãoBaixa Intervenção

Fontes: La Pousse d’Or ou La Bousse d’Or?, Laure Gasparotto; Entrevista com a vinícola; Inside Burgundy, Jasper Morris; The Climats and Lieux-dits of the Great Vineyards of Burgundy, Marie-Hélene Landrieu-Lussigny & Sylvian Pitiot

Imagens: Arquivo pessoal

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