História do vinho: erupção que destruiu Pompéia mudou a viticultura romana

A erupção do Vesúvio, que destruiu Pompéia e Herculano em outubro de 79 D.C., faz parte daqueles eventos que todo mundo conhece. De um lado, foi uma enorme tragédia, uma das mais mortais erupções vulcânicas jamais registradas na Europa. De outro, porém, permitiu a preservação de duas cidades romanas até hoje, exatamente como eram na época.

Um verdadeiro túnel do tempo para quem gosta de história. Detalhes da vida romana no primeiro século depois de Cristo ficaram preservados de uma forma não encontrada em outros sítios arqueológicos. E entre eles, muitas evidências que colocam Pompéia como um dos centros do mundo do vinho na época romana.

Da Oenotria a um importante centro vitivinícola

Os gregos antigos chamavam de Oenotria a região sul da Itália, já reconhecida pelos seus vinhos. Mas especificamente, toda a parte que vai de Roma até Nápoles era considerada, já na época do Império Romano, como origem de alguns dos principais vinhos romanos, entre eles o popular Falernium.

E Pompeia? A área ao redor de Pompéia era particularmente fértil, devido ao solo vulcânico e isso, aliado ao clima do sul da Itália, criou as condições perfeitas para o cultivo de uvas. E as evidências arqueológicas provam isso. Quando as videiras foram cobertas pela erupção vulcânica e mais tarde decompostas, deixaram cavidades nos escombros. E estas cavidades revelam vinhedos extensos, tanto fora como dentro dos muros da cidade.

Papel como centro de distribuição

Além da produção de vinho, Pompéia também era um importante centro de distribuição de vinhos. Algumas de suas maiores vilas possivelmente seriam de posse de grandes comerciantes de vinhos e/ou vinícolas. Isso levou Hugh Johnson a traçar um paralelo entre a Pompéia do século I com a Bordeaux do século XIX. E as evidências arqueológicas também confirmam este papel, com uma grande quantidade de ânforas encontradas, rotuladas tanto como vinho local, como de outras regiões.

A cidade também era uma notável consumidora, havia mais de 200 tavernas vendendo vinho dentro dos muros da cidade. Mas o maior mercado era mesmo Roma, tanto que, após a erupção, o mercado de vinhos sofreu um abalo, com a destruição da maior fonte vinícola de Roma.

Consequências

Além disso, o impacto da erupção não foi apenas imediato. A safra de 78 foi destruída, assim como a de 79 e todos os vinhedos da região. A consequência teria sido uma grande escassez, seguida por uma corrida para plantar videiras em outros locais próximos a Roma. Isso comprometeu outros cultivos, como do trigo, por exemplo.  

Esta situação teria levado a um rápido aumento na produção de vinhos, ao longo de toda a Itália, nos anos seguintes ao cataclismo. E este pode ter sido um dos motivos por trás do edito assinado pelo imperador Domiciano. Em 92 D.C. ele proibiu a plantação de novas videiras em toda a Itália e a destruição de metade dos vinhedos em outras partes do Império.

Fontes: A História do Vinho, Hugh Johnson; The Conversation; Ancient History and Archeology

Imagem: Denise Jones via Unsplash

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