Melon de Bourgogne: uma uva que dá origem a vinhos de muito frescor e mineralidade

Muitas variedades têm associação direta com uma região específica. E a Melon de Bourgogne é uma delas. É no Vale do Loire, mais especificamente na região próxima a Nantes, que essa uva atinge seu pleno potencial, sobretudo quando vinificada com suas lias. Nesta área ela é também conhecida como Muscadet, embora esta variedade não tenha qualquer ligação com as uvas do grupo Muscat, ou Moscatel, como são chamadas em português.

A associação entre a uva e a região é tão forte que o termo Muscadet é parte do nome da denominação de origem mais respeitada da região: Muscadet Sevre et Maine. No entanto, apesar desta forte ligação, a Melon tem também uma longa história dissociada da região, já que é originária da Borgonha. E, nos últimos anos, começou a ganhar espaço fora da França, notadamente nos Estados Unidos.

Origem e história

Se o seu nome dá pistas sobre sua origem, foram necessários estudos de DNA para precisar exatamente qual seu parentesco com outras variedades. Um estudo publicado em 1999 mostrou que a Melon é resultado de um cruzamento natural entre a tinta Pinot Noir e a obscura uva branca Gouais Blanc. Isso a faz uma “irmã” de outras variedades que têm ou tiveram grande presença na Borgonha, como Chardonnay, Aligoté e Gamay.

Mas a grande presença da Melon na Borgonha não foi longa. Por conta de uma decisão real, assim como ocorrida com a Gamay alguns séculos antes, a Melon foi removida dos vinhedos desta região no século XVI, até porque outras variedades se mostraram mais bem sucedidas. No entanto, a capacidade das videiras de Melon de suportar geadas a tornou atraente para os plantadores em Anjou, seu ponto de entrada no Loire.

Porém, o maior crescimento de sua área plantada não se deu por decisão governamental. Após uma forte geada em 1709, ela começou a ser usada de forma mais intensa no replantio dos vinhedos, com sua demanda movida por uma potência estrangeira. Após a geada, comerciantes holandeses começaram a plantar Melon em vinhedos perto de Nantes, o porto mais conveniente de envio para a Holanda. O objetivo era usar as uvas para fabricar brandies. Aí nasceu a predominância da Melon no Pays Nantais.

Características e vinhos

A Melon é uma variedade de alta produtividade, o que também contribuiu para que fosse escolhida pelos fabricantes holandeses de brandies, da mesma forma que os produtores de Cognac optaram pela Ugni Blanc, ou Trebbiano.  Seus cachos são pequenos a médios em tamanho, com grãos pequenos. Além da boa resistência às geadas, ela também não é tão afetada pelo míldio, embora seja vulnerável ao oídio e à podridão cinza.

É uma variedade que produz vinhos equilibrados, frescos, leves, agradáveis e com aromas discretos. Por conta desta discrição e low profile, boa parte dos produtores opta pela elaboração de seus vinhos de Melon de Bourgogne em contato com suas lias, o que traz claros benefícios em termos de aromas, sabores e, principalmente, textura.

Dentre as características olfativas dos vinhos, destacam-se os aromas cítricos, de frutas brancas (maçãs verdes e peras) e salinos. Notas de leveduras são mais presentes nos vinhos que são elaborados sur lie (com suas lias). Na boca, costumam ser vinhos leves, frescos, minerais e de alta acidez, que harmonizam muito bem com ostras e outros frutos do mar, carros chefes da gastronomia da região de Nantes.

Área plantada e nomes alternativos

Em 2018 havia na França cerca de 8.600 hectares plantados de Melon de Bougogne, uma forte queda em relação aos 12.844 hectares registrados em 2008. Isso levou a área plantada a um patamar próximo daquele registrado em 1958. Fora da França, existem algumas experiências com esta variedade, sobretudo na California e no Oregon. Nestas regiões, foi por muito tempo erroneamente confundida com a Pinot Blanc.

Além de seu nome oficial e do termo Muscadet, a variedade também recebe outros nomes, entre eles: Auxerrois gros, Biaune, Blanc de Nantes, Bourgogne blanche, Bourguignon blanc, Clozier, Feher Nagyburgundi, Feuille Ronde, Gamay blanc Feuilles Rondes, Gamay blanc à Feuilles Rondes, Game Kruglolistnyi, Gros Auxerrois blanc, Grosse Saint Marie, Grosse Sainte-Marie, Latran, Lyonnais, Lyonnaise blanche, Mele, Meurlon, Perry, Petit Biaune, Petit Bourgogne, Petit Melon Musque, Petoin, Petouin, Picarneau, Plant de Lons-le-Saulnie, Pourrisseux, Spater Weisser Burgunder e Weisser Burgunder.

Fontes: Foundation Plants Services Grapes, UC Davis; Loire Valley Wines; Plantgrape; Historical Genetics: The Parentage of Chardonnay, Gamay, and Other Wine Grapes of Northeastern France; WineFolly; WineGuy

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