O boom do vinho no Brasil: número de bebedores regulares dobra desde 2010

O ano de 2021 representou um marco para o vinho no Brasil. Tanto do ponto de vista de produção como de consumo, o vinho registrou forte avanço no ano passado. Isso deu pistas de que, finalmente, o Brasil talvez possa assumir uma posição de maior destaque na vinicultura mundial. Além disso, houve uma democratização no consumo de vinhos no país, com uma forte entrada de novos consumidores.

Do ponto de vista de produção, a safra 2021 foi histórica. A produção brasileira de vinhos atingiu 3,6 m/hl, um impressionante aumento de 60% em relação ao ano anterior, atingindo o patamar mais alto desde 2008. Em relação à média dos cinco anos anteriores, o ganho também foi substancial, na casa de 45%.

Novos consumidores

Embora os dados de consumo do ano completo ainda não estejam disponíveis, a tendência de forte crescimento registrada em 2020 possivelmente se repetiu, porém, com menor intensidade. Dados preliminares confirmam o otimismo. Considerando os dados do primeiro semestre, as importações de vinho no Brasil cresceram de forma acelerada, com uma alta de quase 40% em volume e 60% em valor.

Segundo dados da Wine Intelligence, a quantidade de bebedores regulares de vinho (que consomem ao menos uma vez ao mês) é hoje o dobro do que em 2010. Segundo a consultoria britânica, a proporção da população adulta que consome vinho ao menos uma vez por mês atingiu 36%. Este é um número relevante, equivalente ao registrado nos Estados Unidos, embora ainda cerca de metade dos mercados europeus maduros.

Motivos e riscos

A Wine Intelligence aponta o motivo principal para este crescimento. As restrições impostas pela pandemia a partir de 2020 foram o catalisador para uma grande mudança no estilo de vida do brasileiro em relação ao álcool. Com uma população relutante ou incapaz de socializar da maneira habitual, os brasileiros se adaptaram às novas normas comportamentais. Nesse ambiente, o vinho experimentou um efeito multiplicador.  Surgiu como uma bebida de convívio e uma novidade interessante, sobretudo em uma época em que outras alternativas (pense nos bares e restaurantes) eram restritas.

A consultoria, porém, mostra uma visão menos otimista em relação à manutenção desta tendência. Com a intensificação dos contatos sociais e possível retorno à normalidade, o brasileiro pode voltar a consumir mais cerveja. Isso pode impactar o consumo de vinhos. Existe também a questão do desempenho da economia em geral, sobretudo no que diz respeito à pressão sobre os preços.

Entre os riscos estão a possibilidade de nova desvalorização do real, aumento dos custos de insumos (tanto para produtores como importadores nacionais), além dos maiores custos de transporte. Deste modo, a pressão sobre os preços deve ser sentida em toda a economia em 2022, e o vinho terá que lutar para preservar sua posição recém conquistada.

Fontes: Wine Intelligence; Observatorio Español del Mercado del Vino (OeMv)

Imagem: gleidiconrodrigues via Pixabay

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