Os vinhos brasileiros e as degustações às cegas

Vinhos brasileiros, quando degustados às cegas, parecem importados! Já ouvi muitas vezes pessoas comentando sobre isso, o que me leva a crer, que ainda o preconceito com o vinho brasileiro é grande. Por várias vezes tenho dito comentado, escrito, divulgado, que a melhor ação para o negócio vinho, é que estes em geral, e para os vinhos brasileiros em particular, possam ser mostrados e degustados em promoções e eventos, locais de venda, lojas, supermercados etc…

Só assim poderão se tornar conhecidos, e ato contíguo, procurados por aqueles que deles se agradarem. Em que pese todas as dificuldades que as pessoas em nosso país enfrentam, muitas delas provenientes de uma falta de cultura, civilidade e educação, tenho visto e gostado das ações propostas particularmente por vinícolas e enólogos, para mostrar os vinhos brasileiros, aqui e lá fora.

Degustando às cegas

Durante a Expovinis 2010, a maior feira do gênero da América Latina, e que infelizmente se exauriu no modelo e nas perspectivas, deixando uma enorme lacuna, vi acontecer o que à época foi chamado de teste cego. Era ofertada a degustar, uma taça com vinho, sem mostrar rótulos, aleatoriamente aos interessados em participar, e pedia-se que fosse feito um comentário e se possível estimassem o provável país de origem do vinho provado.

A esmagadora maioria, 80%, citava países com maior tradição vinícola, como França, Itália, Chile e Argentina. Mas, na verdade, eram todos vinhos finos brasileiros, e na faixa de preços o que seria hoje, equivalente aos R$ 50,00 a R$ 70,00.

Vinhos de todo o mundo

Não quero ser mais realista que o rei, degusto vinhos de todas as origens e países, e gosto dos vinhos bons, independentemente de serem deste ou daquele país, com maior ou menor tradição em vinificação.

Creio que assim também todos deveriam proceder, mas sei também que o preconceito é forte e o desconhecimento sobre nossa produção ainda é muito grande. Precisamos ser mais engajados nas questões que colocam nossos produtos, quaisquer que sejam eles, em confronto com os vindos de fora, pois muitas das vezes os estrangeiros são muito piores, mas como o importado “sempre” é melhor podemos incorrer em erros grosseiros.

Exemplo dos sucos

Será somente pelos preços que nossos vinhos ainda sejam alijados do processo de busca e de consumo? Precisamos todos exercer controles, com relação aos produtos, preços, políticas de subsídios, importações e exportações em todas as áreas. Faz alguns anos temos a indústria de suco de uvas natural festejando um alentador incremento de vendas, dando com isso melhores condições de vida, principalmente à viticultura familiar e aos pequenos produtores.

Para dar um exemplo, volta e meia vemos com preocupação as reiteradas tentativas do governo da Argentina, por exemplo, querendo a possibilidade de se colocar aqui o suco de uvas a granel, ou seja, para competirem em preço, pois a qualidade nem vamos discutir, já que não foi examinada esta questão.

Sem preconceitos

Voltando ao motivo deste texto, se mais consumidores fizessem um teste cego, se espantariam com a qualidade dos nossos vinhos hoje, e muitos, creio, começariam a consumi-los, guardando as devidas proporções de bolso de cada um, apesar do poder aquisitivo baixo de nossos enófilos.

Vamos aos testes cegos, vamos aumentar o consumo de vinhos brasileiros, com isto, poderemos pleitear das vinícolas, uma melhor equação volume X custos, possibilitando o crescimento.

Até o próximo brinde!

Álvaro Cézar Galvão conhecido como O Engenheiro Que Virou Vinho, me dedico a comentar, escrever, divulgar, dar palestras e ministrar cursos de vinhos, bebidas destiladas e a harmonização com a gastronomia. Assino dentre outras mídias o site Divino Guia www.divinoguia.com.br

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Fotos: Álvaro Cézar Galvão, arquivo pessoal

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