Os vinhos do Monte Etna

Em nenhum outro país do mundo há tantos vulcões ativos como na Itália. E no entorno de um desses vulcões, o Etna, está situada uma região vinícola que vem ganhando cada vez mais atenção da crítica especializada e dos enófilos. Na coluna desse mês vamos falar sobre os vinhos produzidos no entorno do Monte Etna.

A Denominação de Origem Controlada (DOC) Etna é marcada por vinhedos cultivados nas encostas do vulcão. Nerello Mascalese é a principal variedade do Etna tinto. Já o Etna branco tem a casta Carricante como protagonista.

Um pouco de história

No século 19, a província de Catania (incluindo o Etna) abrigava uma das maiores áreas cultivadas de vinhedo da Sicília. No entanto, até meados do século XX, a produção era concentrada em vinhos mais simples, ou vini da tavola.

Em 1968 a DOC Etna foi criada. Porém, num primeiro momento isso não significou mudanças no cenário. Eram poucos os produtores de qualidade, insuficientes para provocar uma alteração de impacto nos vinhos da região.

Mudanças vieram apenas na década de 1990, quando o produtor Benanti & Salvo Foti iniciou um trabalho focado nas uvas locais, uma aposta ousada, mas que iniciou a inserção da região na elite das apelações italianas. Esse movimento foi seguido, na primeira década desse século, por um grupo relevante de produtores que finalmente colocou o Etna no mapa, com amplo reconhecimento da crítica especializada e consumidores. Dentre esses produtores vale a pena citar Planeta, Cusumano e Tasca d’Almerita.

Vinhos da Vinícola Benanti (foto do site do produtor), considerado o pioneiro na elaboração de vinhos de qualidade no Etna

Desde então, o Etna passou a ser alvo de investimento, não apenas de vinícolas locais, mas também de produtores de outras regiões importantes, como a Vinícola Gaja do Piemonte, que adquiriu terras na área e hoje produz rótulos com a DOC Etna.

A área vinícola do Etna

Os vinhedos ocupam as encostas, num semicírculo localizado no norte, leste e parte sul das colinas do vulcão.

Apesar da proximidade com o mar, a temperatura é fria, em função da elevada altitude dos vinhedos (uma das mais altas da Itália) que variam de 300-1200 metros. Durante o período de maturação, no entanto, é observada uma enorme amplitude térmica, o que é fundamental para a adequada maturação fenólica das uvas.

Escuro e arenoso, o solo reflete as características vulcânicas, com acúmulo de larvas antigas e recentes, também no subsolo. Observa-se também vinhas velhas (algumas pré filoxera) com baixo rendimento.

Os vinhos do Etna

O Etna Rosso deve conter no mínimo 80% Nerello Mascalese e no máximo, 20% Nerello Cappuccio. A versão reserva é envelhecida pelo menos por 4 anos, sendo um deles em madeira (barricas ou em botti).

Os tintos costumam apresentar uma boa presença de frutas vermelhas silvestres, tais como cerejas, oxicoco (cranberry) e framboesa. Notas florais delicadas, discreto herbáceo, além de tabaco, mineral, defumado e especiarias completam o perfil aromático. Há quem compare estes tintos com o estilo da Borgonha. Isso se deve à elegância, aos taninos finos, aromas delicados e boa acidez.

Já o Etna Bianco é elaborado com um mínimo de 60% da Carricante e, até no máximo, 40% da Catarraro Bianco. Na prática, porém, os melhores são varietais de Carricante. A grande parte não passa por madeira. No entanto alguns poucos produtores usam grande barricas (botti) na maturação.

Os brancos do Etna se destacam pela mineralidade e acidez pungente. Costumam apresentar aromas cítricos, florais (acácia) e ervas aromáticas. No final de boca, as notas salinas geralmente aparecem. Costumam envelhecer bem e evoluir com o tempo, ganhando boa textura e aromas mais nobres.

Etna DOC, a grande estrela da Sicília

A Sicília conta com 23 DOC. Por ora, ainda nenhuma DOCG. De um passado marcado pela produção de vinhos simples e grandes volumes, a região evoluiu e já conquistou um lugar de destaque no seleto grupo de grandes regiões vinícolas da Itália. E a DOC Etna é certamente o grande trunfo para a Sicília ser definitivamente reconhecida como produtora de vinhos de alta qualidade. 

As principais apelações da Sicília. Foto da WSG.

Renato Nahas é Professor da ABS-Campinas. Concluiu a certificação de Bourgogne Master Level da WSG, é Formador homologado pelo Consejo Regulador de Jerez e Italian Wine Specialist – IWS, pela WSG. Sommelier formado pela ABS-SP, possui também as seguintes certificações: WSET3, FWE e CWS, este último pela Society Wine Educators.

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Foto da capa: Renato Nahas, arquivo pessoal

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