Palomino fino: excelência na região de Xerez e novos rumos à frente

Muito usada na Andaluzia para a produção de vinhos de envelhecimento biológico ou oxidativo, a Palomino Fino começa a ganhar também protagonismo na elaboração de vinhos de mesa. Com uma forte presença na região de Xerez, onde responde por cerca de 90% da área total de videiras, esta variedade também é encontrada em outras regiões espanholas, além de Portugal, onde é conhecida como Malvasia Rei.

Estes dois países concentram a imensa maioria dos vinhedos de Palomino Fino, com pequenas áreas espalhadas por países do Novo Mundo, como Austrália, Estados Unidos e México. Uma variedade de grande produtividade, mostrou ótima compatibilidade com os solos calcários do sul da Península Ibérica, que ajudam a compensar sua baixa acidez.

Origem e nome

Ainda não existe uma definição precisa sobre a origem da Palomino Fino e qual é seu parentesco genético com outras variedades. Há teorias que apontam sua introdução na região aos fenícios, porém sem evidências científicas. As primeiras menções do nome Palomino na região da Andaluzia, sua origem mais aceita, datam de princípios do século XVI. Porém, é provável que menções anteriores à variedade Listán se refiram a ela. Vale lembrar que nas ilhas Canárias esta uva é atualmente chamada de Listán Blanca.

Em relação ao seu nome, acredita-se que seja uma homenagem ao nobre espanhol Fernán Yáñez Palomino. Ele foi um dos cavaleiros da nobreza que acompanharam o rei de Castilla, Alfonso X, nas guerras contra os mouros da Andaluzia no século XIII, que levaram à liberação de diversos territórios, inclusive a retomada de Sevilha.

Por muito tempo acreditou-se que existiam duas variedades distintas, a Palomino Fino e a Palomino, porém análises genéticas provaram que são a mesma variável, apesar das diferenças encontradas em suas folhas e flores. Eram exatamente estas diferenças que levaram os ampelógrafos a acreditarem, por muito tempo, que seriam variedades distintas.

Características e vinhos

É uma variedade que se adapta muito bem ao cultivo extensivo. Além de ser uma uva vigorosa e de alta produtividade, é também muito resistente a doenças fúngicas, como míldio e oídio. Por outro lado, ela é bastante sujeita à oxidação, o que acabou sendo uma vantagem na elaboração dos tradicionais vinhos de Xerez.

Seus cachos são grandes e os grãos de tamanho médio a grande, com baixo potencial de açúcares e acidez que cai rapidamente conforme a uva vai ficando mais madura. Seus vinhos são, consequentemente, considerados neutros e muito suscetíveis à oxidação. Como mencionado anteriormente, grande parte da Palomino Fino é direcionada para a produção de vinhos com exposição maior ao oxigênio, com distintos perfis aromáticos e gustativos dependendo do método e período de oxidação.

O crítico espanhol José Penin é categórico ao descrever a Palomino Fino: “possivelmente não há no mundo uma variedade com tão pouca graça capaz de gerar um vinho tão majestoso”. Ele afirma também que “como o vinho de mesa é neutro, leve, com quase nenhum caráter varietal, com características vegetais e um papel discreto com a comida. Por outro lado, essa variedade se mantém elegantemente em segundo plano para não interferir nas características criadas pelo envelhecimento biológico (quando é elaborada como fino), nem nas de envelhecimento oxidativo, quando vinificada como amontillado ou oloroso”.

Área plantada e nomes alternativos

Segundo dados da OIV, a área plantada de Palomino Fino ao redor do mundo, em 2015, era de 15.0256 hectares, o que a colocava em um patamar próximo da Gewürtztraminer. A Espanha respondia por cerca de 12.105 hectares, ou 80,6% do total, seguida por Portugal, com 2.594 hectares (17,3%). O restante da área era distribuído por diversos países do Novo Mundo e também Chipre, onde é chamada de Listán Blanc.

Apesar da relativamente alta concentração geográfica, ela é conhecida por uma grande diversidade de nomes, que, segundo o catálogo da Universidade da California – Davis, são: Alban, Albar, Albilla de Lucena, Antillana, Blanc Leroy, Chasselas de Jesus, Dorado, El Bayoudh, Faranah, Gencibar, Gencibel, Gencibera, Grillo, Horgazuela, Jerez, Jerez Dorado, Jerez Fino, Jerezana, Katalon Zimnii, Lairenes vertes, Listao, Listao de Madeira, Listán, Listán Blanca, Listán Comun, Listán de Drinado, Listán Ladrenado, Listán Laeren, Listán Letnii, Malvasia Rei, Mantuo de Pilas, Manzanilla de Sanlucar, Neiran d’ Alle, Ojo de Liebre, Olho de Lebre, Orgazuela, Palomina Blanca, Palomino 84, Palomino de Chipiona, Palomino del Pinchito, Palomino Fino, Palomino Listán, Palominos, Palote, Paulo, Perrun, Polomino, Ransdruif, Seminario, Temprana, Tempranilla, Tempranillo de Grenada, Useiran d’ Alle, White French e Xeres.

Fontes: Foundation Plants Services Grapes, UC Davis; Distribution of the World´s Grapevine Varieties, OIV; Plantgrape; Jancis Robinson; Guia Peñin; WeinPlus

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