Safra 2021: com queda na produção de vinho superior a 80%, Jura lidera as perdas na França

As últimas estimativas para a safra 2021 divulgadas neste começo de setembro pelo Ministério da Agricultura francês são desanimadoras. Por conta de uma sequência de eventos climáticos, sobretudo as fortes geadas ocorridas em abril, a produção de vinho na França deve ser de 33,3 milhões de hectolitros, a menor já registrada.

Este número representa uma queda de 29% em relação a 2020 e de 25% frente à média dos últimos cinco anos, ficando na ponta mais baixa das primeiras estimativas, que ficavam entre 32,6 e 35,6 milhões de hectolitros. O rendimento por hectare ficará próximo ao de 1977, quando, também por conta de geadas, a produção foi muito baixa. No caso de 2021, porém, a queda na área plantada nas últimas décadas resultou em uma safra ainda menor.

Impacto regional

A região do Jura foi a mais afetada, com a produção de 2021 devendo registrar uma queda de 82% em relação ao ano anterior e de 80% frente à média de cinco anos. Este catastrófico resultado ocorreu tanto por conta das geadas, como também pela proliferação de pragas, como o míldio, após fortes chuvas em junho e julho.

Embora com uma quebra de safra menos intensa, também a macro-região composta pela Borgonha e Beaujolais deve mostrar uma produção decepcionante. A queda estimada é de 47% frente a 2020 e de 46% em relação à média dos últimos cinco anos. A seguir, vieram Champagne (-36% e -45%, respectivamente), SudOest (-44%, -44%), Vale do Loire (-39% e -33%), Languedoc-Roussillon (-32% e -29%) e Bordelais (-25% e -28%). A única região com produção em alta frente à média será a Córsega (5%), embora ainda 4% inferior a 2020.  

Uvas e comparações internacionais

Em termos de variedades, o impacto foi maior para aquelas que florescem primeiro, como Chardonnay ou Merlot. Para a rainha das uvas brancas, as perdas foram enormes, sobretudo na área que começa em Chablis até o Beaujolais e o Jura, via as famosas vilas da Côte de Beaune, como Meursault, Puligny-Montrachet, Chassagne-Montrachet e passando pelo Mâcon. Por outro lado, aquelas variedades de floração mais tardia, como Ugni Blanc, foram menos afetadas.

Colocando os números em perspectiva, a safra francesa sofrerá uma queda de cerca de 13,6 milhões de hectolitros em relação a 2020. Este volume perdido é superior a toda a produção de países líderes na vinicultura mundial em 2020, como Argentina (10,8 milhões de hectolitros), Austrália (10,6M/hl), África do Sul (10,4M/hl) ou Chile (10,3M/hl). Por conta disso, a França perderá o posto de segundo maior produtor de vinhos do mundo para a Espanha.

Fontes: Agreste Conjocture, Ministère de l’Agriculture et de l’Alimentation; Vitisphere

Imagem: Gerd Altmann via Pixabay

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