Um brinde a 2022: cinco dicas e tendências do vinho no ano que começa

Ano Novo! Hora de renovação e planejamento, sobretudo depois de dois anos tão difíceis por causa da pandemia. E, nesta hora, não faltam as tradicionais listinhas de desejos e novos hábitos. Voltar para a academia? Mudar a alimentação? Arrumar um novo emprego? Passar menos tempo nas mídias sociais e ver mais os amigos?  Aprender a tocar um instrumento musical? São tantas coisas interessante que podemos colocar em prática em 2022!

E na hora de provar um bom vinho? Como você deve saber, o mundo do vinho também está em transformação, com novas tendências ganhando cada dia mais força. Muitas delas, aliás, estão em linha com objetivos mais amplos de maior sustentabilidade e menor consumismo. Pensando nisso, listamos abaixo cinco tendências que fazem sentido na hora de escolher seus vinhos em 2022.

Sustentáveis, orgânicos e biodinâmicos

Cada dia se sente mais o impacto negativo da ação humana sobre o meio ambiente. Porém, cada um pode fazer um pouco para garantir um mundo mais sustentável para as próximas gerações. E isso vale também na hora de consumir vinho. Entre outros fatores, existem enormes diferenças no tratamento das videiras que darão origem ao vinho.

Será que faz sentido consumir vinhos que quem exagera no uso de pesticidas, herbicidas e fungicidas sintéticos para “cuidar” de seus vinhedos? Felizmente, cada dia que passa mais viticultores estão se rendendo a cultivos mais alinhados com a preservação do meio-ambiente, seja através das agriculturas sustentável, orgânica ou biodinâmica. Valorize os vinhos de quem trata melhor o meio ambiente, não somente o planeta Terra sai ganhando, mas também você, com menor risco à sua saúde e vinhos mais puros e honestos.

Países e regiões diferentes

Quantas vezes você já ouviu alguém dizer que, quando pode, só bebe vinhos franceses, porque o resto é ruim ou muito pior? Afirmações como esta não fazem qualquer sentido, até porque a qualidade dos vinhos tem aumentado de forma contínua ao redor do mundo nos últimos anos. Sim, há países ou regiões com maior tradição e padrões de excelência mais altos, mas vinhos de qualidade são elaborados atualmente em dezenas de países e centenas de regiões.

Mais do que isso, alguns países já mais tradicionais estão corrigindo os erros do passado e elaborando vinhos de alta gama. Pense no que aconteceu na Argentina, Chile, África do Sul ou Estados Unidos, onde muitos produtores quebraram paradigmas e passaram a elaborar vinhos sensacionais. Mesmo na Europa, ainda existe muito a descobrir, pense em Eslovênia, Grécia, Croácia, ou mesmo regiões menos conhecidas de países mais tradicionais, como Jura e Savoie na França, Galicia ou Ilhas Canárias na Espanha, Lazio ou Abruzzo na Itália.   

Uvas locais

Uma terceira tendência, de uma certa forma relacionada às anteriores, é o maior consumo de vinhos feitos a partir de variedades locais, as famosas uvas autóctones. Que tal provar vinhos e uvas diferentes, trocando aquele Chardonnay ou Malbec por um vinho elaborado com uvas que historicamente representam um local ou terroir?

Cabernet Sauvignon da Sicília? Que tal provar um Nerello Mascalese da mesma ilha? Sauvignon Blanc português ou optar por alguma variedade local, como Encruzado, Alvarinho ou Loureiro? Carmenere e Merlot chileno, por que não conhecer a ancestral uva País? Isso vale para tantas regiões e países, existe uma quase infinita oferta de vinhos feitos a partir de uvas autóctones. Assim como ocorreu na culinária, onde cada dia mais se valoriza o ingrediente local, no mundo do vinho a generalização perdeu espaço.

Menos ostentação, mais pesquisa

Basta de usar o vinho como forma de ostentação. Vinho não é um símbolo de status, é uma bebida para ser consumida com amigos e família, não somente para postar em mídias sociais. Ignore as campanhas que tentam vender vinhos como forma de ostentar riqueza – logo me veio à mente o recente lançamento de um vinho português de € 1.000 por garrafa, cujo melhor argumento era o preço. Ou daqueles que tentam vender vinho como se fossem vendedores de carro usado, só blá-blá e modinha, nada de conteúdo.

Fuja de tolices como posts ou vídeos com gente abrindo garrafas de Champagne com sabrage (coisa brega, além de perigosa) ou “gente chique” desperdiçando Champagne ou outros vinhos espetaculares em camarotes barulhentos cheios de cafonas. Use seu tempo para conhecer melhor os vinhos, como são elaborados, seus produtores e regiões. Certamente você ganhará independência para fugir das modinhas e escolher melhor seus vinhos no futuro.   

Pequeno e artesanal

Um dos impactos da COVID-19 foi a piora da distribuição de renda, verificada praticamente em todo o mundo. Se muitas pessoas e pequenas empresas perderam renda nos últimos meses, parte disso foi abocanhado pelos grandes negócios. No vinho não foi diferente, com os chamados produtores industriais se dando melhor em um tempo tão difícil.

Comprar vinhos de produtores menores e mais artesanais não faz sentido somente para fazer a economia girar mais rápido. Há uma diferença também em termos de qualidade, pense em outros produtos que você consome. Será que o queijo daquele produtor artesanal não dá de dez a zero naquele equivalente industrial que está na gôndola do hipermercado? O mesmo ocorre com tantos outros alimentos que consumimos, como ovos, frutas, doces, massas, etc.

Na hora de escolher seu vinho, preste atenção no porte e proposta do produtor. Olhe com carinho para vinícolas familiares, que elaboram seus vinhos de forma mais artesanal e consciente. Elas estão espalhadas por todo mundo e muitos de seus vinhos podem ser encontrados no Brasil. Tenha o mesmo cuidado onde compra, procure ajudar seu comércio local, sobretudo aquelas lojas de vinhos onde haja um cavista capacitado. Faça um favor a você, aos que mais precisam e à economia como um todo, compre do pequeno.

Imagem: Gerd Altmann via Pixabay

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