Um brinde mesmo dentro da crise: importação de vinhos bate recorde no Brasil

Não há como negar que o vinho vive um momento especial no Brasil. Após uma tendência de queda no consumo per capita que durou várias décadas, o ano de 2020 trouxe excelentes notícias ao setor. Dentre os 20 maiores consumidores de vinho do mundo, o Brasil foi o mercado que mostrou crescimento mais intenso no ano passado. Com crescimento de 18,4% do volume consumido em relação a 2019, foi o único destes mercados que cresceu dois dígitos.

E parte deste crescimento foi resultado do aumento nas importações. Segundo dados do Observatorio Español del Mercado del Vino (OeMv), as importações em 2020 atingiram 152,5 milhões de litros (um aumento de 14,3%) ou R$ 2,2 bilhões (+49,5%). O aumento foi muito maior em valor, até por conta da desvalorização do real, com o preço médio subindo mais de 30%, para 14,45 R$/litro. Mas se 2020 foi um ótimo ano, os dados de 2021 parecem confirmar que a tendência continua.

Importações em alta também em 2021

Se muita gente esperava uma desaceleração do expressivo crescimento registrado no ano passado, os dados do primeiro semestre de 2021 mostraram o inverso. As importações de vinho no Brasil cresceram de forma ainda mais acelerada no primeiro semestre de 2021. Em termos de volume, a alta foi de quase 40% (para 75 milhões de litros) e em valor, de 60% (R$ 1,22 bilhão). O preço médio subiu 14,44%, para R$ 16,22/litro.

Até por conta do bom custo-benefício dos espumantes brasileiros, os vinhos tranquilos engarrafados dominaram as importações brasileiras de vinho. Foram 72,2 milhões de litros (alta de 40,8% frente ao mesmo período de 2020), equivalendo R$ 1,15 bilhão (+61%). Isso representa cerca de 96% do volume e 94% do valor total importado de vinho no primeiro semestre de 2021.

Importando de onde?

No primeiro semestre deste ano, não houve mudança significativa no que diz respeito à origem dos vinhos importados pelo Brasil. As compras de vinhos chilenos, que representaram cerca de 40% do valor total de vinhos adquiridos no exterior pelo Brasil, atingiram 34,4 milhões de litros (+39,7% frente ao mesmo semestre de 2020) e R$ 480,5 milhões (+58,6%).

Mantendo a segunda posição, as importações de vinhos de Portugal cresceram de forma semelhante, atingindo 12,1 milhões de litros (+40,6%) e R$ 193,4 milhões (+58,4%). Embora tenham crescido de forma mais intensa, as compras a partir da Argentina ainda não permitiram que o país vizinho deixasse a terceira posição no ranking de maiores exportadores de vinho ao Brasil.

Nos seis primeiros meses deste ano, as importações a partir da Argentina cresceram 63,5% em volume e 73% em valor, para 11,7 milhões de litros e R$ 190 milhões. Itália, Espanha e França completaram a lista de maiores exportadores de vinho ao Brasil.

Recorde histórico

O mês de junho de 2021 representou um marco importante. As importações brasileiras de vinho atingiram um novo recorde histórico, considerando o acumulado de doze meses. Entre julho de 2020 e junho de 2021 foram importados 173,8 milhões de litros (+40,7%) ou R$ 2,66 bilhões (+64%), equivalente a cerca de € 428 milhões. Neste período, o preço médio subiu 16,5%, para R$ 15,30 por litro (€ 2,46).

Estes dados chamam a atenção, pois mesmo apesar da forte desvalorização do real e consequente encarecimento dos vinhos importados, os volumes bateram recorde. Sinal de uma impressionante recuperação no consumo, embora ainda exista muito espaço para que o brasileiro possa voltar aos níveis de consumo per capita de vinho de cerca de 50 anos atrás, quando bebia cerca de 3,8 litros por ano. Mesmo apesar do forte crescimento, no final de 2020 este indicador ficou em 2,8 litros per capita.

Fonte: Observatorio Español del Mercado del Vino (OeMv)

Imagem: Jose Guertzenstein via Pixabay

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