Uma tradição europeia que “não pegou” no Brasil: o vinho de Natal

Natal é um momento de união e alegria. E uma boa garrafa de vinho não pode faltar à mesa durante as celebrações, seja no jantar do dia 24 ou no almoço do dia 25. Aquele prato caprichado e seus complementos apetitosos certamente merecem a companhia de um vinho. Branco, rosé ou tinto, vale tudo para harmonizar melhor com o banquete dividido com família e amigos.

Ao contrário do Réveillon, normalmente associado ao Champagne ou outro espumante, não há um vinho ligado diretamente ao Natal. Ou corrigindo, no Brasil não há um vinho associado ao Natal, já que na Europa e, também em partes da América do Norte existe, sim, uma ligação entre vinho e Natal. E, mais do que uma invenção moderna, é um vinho com cerca de 2.000 anos de tradição.

Glühwein, Vin chaud ou mulled wine

Acima, estão alguns dos nomes que o tradicional vinho de Natal recebe em diversos países europeus, com sua associação mais clara com as festas natalinas a partir do século XIX. Mas sua história, porém, é muito mais longa, possivelmente começando durante os tempos onde o Império Romano dominava boa parte do continente europeu.

Durante a expansão do Império Romano para o norte da Europa, algo mais do que roupas quentes se fez necessário para aquecer as legiões. Surgiu então a proposta de aquecer o vinho, que já fazia parte da ração diários dos soldados. Foi aí que se deu também a inclusão de ingredientes, como especiarias, frutas, ervas ou flores. Estes ingredientes, além de ajudar a proteger a saúde dos legionários, serviam também para melhorar o sabor da bebida.

Pela receita acima, você já deve ter percebido que esta combinação de ingredientes soa familiar. Sim, estamos falando do vinho quente, ou quentão, como é também conhecido em algumas partes do Brasil. Embora por aqui não seja popular no Natal, em função das temperaturas elevadas nesta época do ano, é uma parte imprescindível das festas juninas.

Associação com o Natal

Esta tradição (mesmo que em um período do ano diferente) chegou ao Brasil pela iniciativa de imigrantes europeus, já que a partir do final do século XIX o vinho quente se tornou uma verdadeira febre na Europa. Embora com origens romanas, o ponto de partida desta associação com o Natal ocorreu na Suécia, onde era chamado de glögg.

Diversos comerciantes suecos criaram receitas próprias e garrafas únicas (a maioria representando o Papai Noel), que foram distribuídas pelo resto da Europa. Nas décadas seguintes, o vinho quente se tornou um fenômeno global, com países de todo o mundo criando misturas únicas. Na Alemanha e Alsácia, onde é chamado de Glühwein (vinho que brilha, por conta das brasas usadas para aquecê-lo), ele ganhou enorme popularidade, rapidamente repetida em outros países.

As receitas podem variar, mas, em geral, incluem vinho tinto (muitas vezes enriquecido com vinho do Porto) e especiarias como canela, cravo, anis estrela, baunilha, açúcar e cascas de cítricos. Seja como vinho de Natal ou para animar nossas festas juninas, uma receita vencedora, que aquece os corações e aumenta os vínculos de amizade e carinho. Boas festas a todos!

Fontes: History of Wine; Expat Explore

Imagem: jplenio via Pixabay

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