Viajando no mundo do vinho: conheça a região do Brunello di Montalcino

A Toscana é uma das regiões que mais atraem turistas na Itália, com cidades e vilas medievais deslumbrantes, além de paisagens rurais inesquecíveis. Dentro de um cenário de tanta beleza, também quando se fala de vinho, ela é uma região de destaque. E falar de vinho toscano geralmente traz uma imagem à cabeça.  Embora na Toscana sejam elaborados diversos estilos de vinho, são os tintos produzidos a partir da Sangiovese aqueles que chamam mais a atenção.

Se a região do Chianti talvez seja a mais tradicional, qualquer conhecedor de vinhos da Toscana acabará destacando também uma outra região dentre aquelas de melhor qualidade. O Brunello di Montalcino, elaborado sempre 100% com Sangiovese, garante seu espaço nas melhores adegas. Vale a pena conhecer melhor esta fascinante região!

Localização e geografia

A região de produção de vinhos de Montalcino coincide com os limites geográficos do município de mesmo nome, situado no sul da Toscana, a cerca de 40 quilômetros do Mediterrâneo e 100 quilômetros dos Apeninos, a cadeia montanhosa que corta o centro da Itália. A região tem um formato quadrangular, com cerca de 24 mil hectares de área, dos quais aproximadamente 15% são ocupados por vinhedos.

Montalcino é limitado pelos rios Ombrone, Asso e Orcia e mostra um clima tipicamente mediterrâneo, com clima mais seco e chuvas concentradas na primavera e no final do outono. Além de solos muitos favoráveis para a viticultura, a região conta com um grande aliado para “segurar” o calor que vem do sul da Itália: o monte Amiata, com seus 1.740 metros de altitude.

Nome e história

Não há consenso sobre a origem do nome Montalcino. Há quem acredite que deriva do latim Mons Lucinus, que seria uma montanha dedicada à deusa romana Lucina (Juno). A segunda teoria, mais aceita, conecta o nome a Mons Ilcinus, referindo-se à extensa presença de carvalhos no alto de seus morros. Vale lembrar que o brasão de armas do município de Montalcino traz a imagem de um carvalho sobre montanha.

Apesar de ser uma região hoje conhecida por praticamente todos os apreciadores de vinhos de qualidade, a tradição da viticultura na área era completamente diferente do que é hoje. Embora fosse uma região de produção de uvas possivelmente desde a época do Império Romano, até o século XIX Montalcino era conhecida por um vinho branco doce elaborado a partir da uva Moscatel, chamado de Moscadello.

A relação da região de Brunello com a Sangiovese teve um pioneiro: Clemente Santi, que teria sido o primeiro a praticar a monocultura desta uva na região, identificando os clones mais adequados. Em 1869, um de seus vinhos da safra de 1865, um Brunello (como um dos clones da Sangiovese é chamado na área), recebeu uma medalha de prata pelo Comizio Agrario di Montepulciano. Nos anos seguintes, seu Brunello obteve outros importantes prêmios internacionais, incluindo competições em Paris e Bordeaux.

Tradição e novos tempos

Foi seu neto, Ferruccio Biondi Santi, um dos grandes responsáveis pelo desenvolvimento do estilo de vinificação na região, com longas fermentações e uso de grandes barris de carvalho para seu envelhecimento. Nascia, assim, o que é hoje chamado de estilo tradicionalista dos Brunellos di Montalcino, que foi aperfeiçoado por nomes como Giulio Gambelli, já a partir de meados do século XX.

A denominação de origem controlada (DOC) Brunello di Montalcino foi aprovada em 1966, com seu Conselho Regulador criado no ano seguinte. Mas sua verdadeira era de ouro começou a partir da década de 1980, quando passou a ser a primeira região classificada como DOCG na Itália. Foi quando se tornou objeto de desejo de apreciadores de vinho ao redor do mundo, sobretudo nos Estados Unidos, muito por conta da estratégia comercial adotada pelos irmãos Mariani, fundadores da Villa Banfi.

Denominações de origem e sub-regiões

Ao contrário do que muita gente acredita, a área vinícola em Montalcino não é composta somente pela denominação de origem Brunello di Montalcino. Dos 24.000 hectares totais, apenas 3.500 hectares são plantados com vinhedos.  A Brunello di Montalcino DOCG é a maior, com 2.100 hectares, seguido pela Rosso di Montalcino DOC (510 ha). A Sant’Antimo DOC conta com 480 hectares, enquanto a Moscadello di Montalcino DOC busca trazer de volta algumas das tradições da região, com 50 hectares. Outros vinhos correspondem a 360 hectares.

Não há uma divisão oficial de subzonas, mas extraoficialmente a região pode ser dividida em quatro sub-regiões: centro-sul (incluindo a região próxima a Montalcino), norte (que inclui vinhedos famosos, como Montosoli e Canalicchio), oeste (contendo os vilarejos de Tavernelle e Camigliano) e sul-sudeste (a subzona com maior área plantada, incluindo Castelnuovo Dell’Abate, Sant’Angelo in Colle e Sant’Angelo Scalo).

Estilos e produtores

De forma geral, os produtores da região podem ser agrupados em três grupos distintos: os tradicionalistas, os modernistas e aqueles que ficam algum ponto intermediário entre os dois anteriores. Os tradicionalistas buscam vinificar seus vinhos com fermentações mais longas, geralmente usando leveduras indígenas e deixando os vinhos para envelhecimento em botti de carvalho, geralmente provenientes da Eslavônia. Dentre os principais produtores ficam Biondi Santi, Soldera, Il Marroneto, Col D’Orcia, Poggio di Soto, Lambardi, Lusini e Camigliano.

Do outro lado vem os chamados modernistas, com vinhos que passam por barricas de carvalho francês e normalmente se mostram mais frutados, potentes e prontos para consumo mais rapidamente. Dentre os produtores neste estilo, destaque para La Fiorita, Antinori, Il Poggione, Caparzo, Franco Pacenti e Banfi. Por fim, produtores como Altesino, Conti Costanti, Baricci, Mastroianni e La Magia acabam ficando em pontos intermediários.

Fontes: Consorzio Brunello di Montalcino; World Atlas of Wine, Hugh Johnson; Mario Cagnetta e Wine Scholar Guild

Imagem: RossanoValeri via Pixabay

Mapas: Wine Scholar Guild

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