Domaine de la Soufrandière: o Mâconnais em sua mais alta expressão

Se a região da Côte d’Or concentra a maior parte da atenção quando o assunto é Borgonha, não há como negar que o Mâconnais combina, quando se fala de vinhos, um imenso potencial com uma excelente relação custo-benefício. E qualquer lista de melhores produtores desta região do sul da Borgonha não é completa sem incluir a Domaine de la Sounfradière.

Baseada em Vinzelles, a cerca de sete quilômetros de Mâcon, essa vinícola rapidamente ganhou a atenção do público especializado. Praticamente desde sua criação, seus vinhos passaram a fazer parte do portfólio de Becky Wasserman, considerada como uma das maiores reveladoras de talentos na Borgonha. Rapidamente se estabeleceu com um dos principais nomes do Mâconnais e grande destaque da denominação de origem Pouilly-Vinzelles.

História

A família Bret adquiriu a propriedade principal da vinícola em 1947, mas até 2000 as uvas eram vendidas para uma cooperativa local, prática muito comum no Mâconnais (atualmente 2/3 dos vinhos da região são produzidos em cooperativas). Foi a iniciativa dos irmãos Jean-Philippe e Jean-Guillaume Bret que levou à criação da vinícola em 2000, na época utilizando os cerca de 4 hectares de vinhedos da propriedade.

La Sounfradière

Logo depois, os irmãos, que já tinham formação em enologia e experiência em diversas vinícolas, decidiram lançar sua operação de micro-négociant. O nome Bret Brothers, sugestão de Becky Wasserman, foi escolhido para os vinhos produzidos com uvas de terceiros. Mas isso não impediu que a Domaine de la Sounfrandière continuasse crescendo, com aquisição de mais vinhedos próprios nos anos seguintes, até chegar ao total atual de 11,5 hectares.

Agricultura e vinhedos

Desde 2000 os vinhedos próprios vêm sendo tratados de acordo com princípios orgânicos, obtendo certificação orgânica pela Ecocert logo depois. A agricultura biodinâmica foi o passo seguinte, a partir de 2003, com certificação desde 2006. Nos vinhedos de terceiros, exigem ao menos agricultura sustentável, embora parte importante já seja também orgânica.

Os vinhedos próprios de maior destaque estão localizados em Vinzelles, na propriedade originalmente adquirida em 1947. A joia da coroa é a área de quatro hectares no climat Les Quarts, com alta concentração de vinhas velhas e considerado um dos melhores vinhedos de Vinzelles, candidato a Premier Cru. Também na propriedade exploram 0,55 ha do climat Les Longeays e um hectare do vinhedo Le Clos de Grand-Père, este último na denominação de origem Mâcon-Vinzelles.

Desde 2016 expandiram sua área de vinhedos, com outros cinco hectares, na época já com certificação orgânica. Com isso, passaram a elaborar vinhos de outras denominações, como Saint-Véran (climat La Bonnode, de 3,5 ha) e Pouilly-Fuissé (Les Chatenays, de 0,70 ha) e Les Vigneraies, de 0,50 ha). Todos estes vinhedos são plantados com Chardonnay, mas possuem também 0,30 hectare de Aligoté plantado nas encostas da icônica Roche de la Solutré.

Jean-Philippe Bret

Vinificação

Também na adega o foco fica na baixa intervenção e sustentabilidade. Após colheita manual, os cachos inteiros são prensados por cerca de três horas, com o objetivo de extrair mais polifenóis das cascas das uvas. O sumo é mantido por 12 horas em tanques com controle de temperatura, quando é transferido por gravidade para tanques de inox ou ovos de concreto, para fermentação usando somente leveduras indígenas.

Incluindo o período de fermentação, que pode durar de três a seis meses, o vinho passa por 11 meses em barris de carvalho usado (geralmente adquirido junto a produtores de alta gama de Meursault ou Puligny-Montrachet) e mais cinco meses em tanques de inox, sempre com suas lias. Geralmente não passam por colagem ou filtração antes do engarrafamento. No que diz respeito à adição de sulfitos, nas cuvées de maior volume, elaboram duas linhas distintas. A “tradicional” tem adição de cerca de 30 a 40 mg/litro, enquanto na “Zen” o SO2 adicionado não passa de 20 mh/l.

Vinhos

A vinícola produz atualmente entre 30 a 40 cuvées distintas anualmente, divididas entre as linhas La Sounfrandière e Bret Brothers. Entre os vinhos elaborados a partir de vinhedos próprios, o maior destaque fica com a cuvée Pouilly-Vinzelles Les Quarts (tanto a “tradicional” como a “Zen”), um vinho de altíssima qualidade, com grande potencial de evolução. Outras cuvées são: Aligoté Aligato, Pouilly-Fuissé en Chatenay, Pouilly-Vinzelles, Pouilly-Vinzelles Les Longeays, Pouilly-Vinzelles Quarts Millerandée, Macon-Vinzelles, Mâcon-Vinzelles Le Clos de Grand-Père, Saint-Véran La Combe DesRoches, Saint-Véran La Bonnode (“tradicional’ e “Zen”).

Já os vinhos da Bret Brothers mostram um perfil mais amplo, com utilização também de uvas tintas, inclusive Gamay do Beaujolais (Brouilly, Julienas e Fleurie), que não ficam distantes de Vinzelles. Algumas cuvées são: Terroirs du Mâconnais, Mâcon-Uchizy La Martine, Mâcon-Chardonnay, Mâcon-Chardonnay Les Crays, Mâcon-Cruzille, Viré-Clessé La Verchère, Viré-Clessé Sous Les Plantes, Saint-Véran En Combe, Pouilly-Loché La Colonge, Pouilly-Loché Les Mûre, Pouilly-Fuissé Terres de Vergisson, Pouilly-Fuissé Clos Reyssié, Pouilly-Fuissé En Carementrant, Pouilly-Fuissé La Roche, Pouilly-Fuissé Chevrières, Pouilly-Fuissé Les Crays, Bret Nat, Gout des Bret e Men in Bret.

Nome da VinícolaLa SoufrandièreEstabelecida2000 Website https://www.bretbrothers.com/en/EnólogosJean-Philippe Bret, Jean-Guillaume BretUvasChardonnay, AligotéÁrea de Vinhedos Próprios11,5 hectaresSede da VinícolaVinzelles (Saône-et-Loire)Denominações (Vinhedos Próprios)Bourgogne Aligoté, Mâcon-Vinzelles, Saint-Véran, Pouilly-Vinzelles, Pouilly-Fuissé PaísFrançaAgriculturaBiodinâmicaVinificaçãoBaixa Intervenção

Fontes: Entrevista com a vinícola; Site da vinícola; Inside Burgundy, Jasper Morris

Imagens: Arquivo pessoal

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