Polêmica sobre consumo de vinho segue na Europa, mas Parlamento Europeu alivia restrições

Nos últimos meses, a Europa foi sacudida por um verdadeiro terremoto no que diz respeito às perspectivas para o consumo de vinho na região. As discussões sobre o plano de combate ao câncer na União Europeia, chamado de Beating Cancer Plan, trouxeram muita apreensão a produtores e consumidores europeus. O que mais chamou atenção foi o texto aprovado inicialmente pela comissão analisando o assunto, que continha a seguinte frase: “não há nível seguro de consumo de álcool”.

Por conta disso, foi aberta a possibilidade de fortes sanções também ao segmento do vinho. O temor era que esta nova legislação poderia levar os Estados membros da UE a impor uma série de medidas duras aos produtores de bebidas alcoólicas, desde rótulos de advertência nas garrafas até proibições à publicidade e promoção de bebidas. E esta possibilidade levou a uma forte reação de diversas associações, sobretudo aquelas que representam os produtores de países como França, Itália, Espanha, Portugal e Alemanha.

Alterações no texto base

Aparentemente, a pressão destes grupos gerou resultados. Uma nova versão do relatório foi levada para votação, incluindo algumas mudanças importantes. O relatório anterior indicava que “o consumo de álcool é um fator de risco para muitos tipos diferentes de câncer”. Porém, agora foi alterado para “o consumo prejudicial de álcool é um fator de risco para muitos tipos diferentes de câncer”.

Embora isso não altere a recomendação inicial de contenção ao consumo, ela mostra que o foco agora passa para o abuso do álcool, que é visto como um dos principais problemas quando se trata de câncer. Ao mesmo tempo, tira de cena o consumo de bebidas em pequenas quantidades e de forma responsável. No caso do vinho, por exemplo, décadas de pesquisas científicas têm mostrado que ele faz parte de um estilo de vida saudável.

Reações à aprovação

Uma sensação de alívio. É como pode ser resumida a reação de diversas organizações do mundo do vinho. Em uma entrevista para a publicação The Drinks Businness, o diretor geral da Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV) comentou a nova versão da legislação proposta. Ele confirmou que “algumas alterações foram aprovadas”, sendo “a mais importante a introdução do conceito de consumo prejudicial ou excessivo”.

Para o secretário geral do Comité Européen des Entreprises Vins (CEEV), que representa os interesses do setor a nível europeu, o novo texto mostra um importante avanço. Ignacio Sánchez Recarte afirmou que “concordamos com o relatório alterado. O texto aprovado traz a distinção fundamental entre consumo nocivo e moderado. Também recomenda divulgar informações aos consumidores sobre consumo moderado e responsável, ao invés de promover o uso de alertas de saúde injustificados.”

A nova versão do relatório recebeu apoio esmagador dos Euro-deputados, com 652 votos a favor, 15 contra e 27 abstenções. Vale lembrar que a Europa tem um peso desproporcional nos casos de câncer a nível mundial. Enquanto a região conta com um décimo da população mundial, ela contabiliza um quarto dos casos de câncer no mundo.

Fonte: Europe’s Beating Cancer Plan; Comité Européen des Entreprises Vins; The Drinks Business

Imagem: torstensimon via Pixabay

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