Preço dos vinhos deve subir ainda mais, refletindo alta dos custos de produção e de transporte

A pandemia do coronavírus, além de ocasionar uma enorme perda de vidas ao redor do mundo, também teve forte impacto sobre a economia, incluindo uma significava ruptura nos fluxos internacionais de comércio. E os efeitos da retração do comércio já vem sendo sentidos em diversos setores, inclusive no mundo do vinho.

Além dos impactos sobre o comércio internacional, ocorreram também interrupções e adiamentos em muitos processos produtivos, resultando em atrasos e custos mais altos para as partes envolvidas. Plenamente inseridos nestes fluxos, os produtores de vinho enfrentam agora uma série de dificuldade, que acabarão chegando aos consumidores. Em poucas palavras, a perspectiva é de preços mais altos para os vinhos nos próximos anos.

Custos mais altos

A França, maior exportador de vinho do mundo em termos de valor, é um exemplo claro desta tendência. Ao longo de praticamente toda a cadeia produtiva do vinho, os produtores têm enfrentado atrasos e preços de insumos mais altos. O mercado de tanques de ano inox, usados seja para a fermentação e/ou amadurecimento de vinhos, é um exemplo.

Dados divulgados pelo Syndicat National des Entreprises de Services et Distribution du Machinisme Agricole (SEDIMA) e pela Association Française des Acteurs Industriels de la Filière des Agroéquipements et de l’Agroenvironnement (Axema) evidenciam a seriedade do problema. As chapas siderúrgicas, que eram negociadas no norte da Europa em janeiro de 2021 a 680 euros por tonelada, atingiram 950 euros no início de janeiro de 2022. Em abril, também contando com o impacto da invasão russa na Ucrânia, chegaram aos 1.800 euros por tonelada, com picos de 2.200 euros.

Mas o aumento não está restrito somente aos tanques de aço inox. “A crise está impactando os materiais usados em projetos de vinificação: aço, aço inoxidável, concreto ou madeira”, disse Roman Tournier, do escritório de design Ingévin em entrevista à publicação francesa Vitisphere. Erguer uma adega custa atualmente de 20 a 25% mais aos vinicultores do que antes. “Tudo relacionado ao recebimento e prensagem da safra aumentou em cerca de 25% de acordo com sua dependência de componentes siderúrgicos e eletrônicos. Para unidades de concreto, ar, nitrogênio e produção fria, o aumento foi de cerca de 15%.”

Atrasos e cancelamentos

Além de preços mais altos, atrasos e cancelamentos de encomendas também afetam o setor. Segundo a Axema, “os cronogramas de produção são dificultados pela imprevisibilidade das entregas, atrasadas ou até mesmo canceladas. O prazo de entrega das máquinas agrícolas aumentou em média 11 semanas em comparação com uma situação normal.”

“Atualmente, são 19 semanas em média, para todas as empresas membros da Axema, prazo que aumenta para 30 semanas no caso dos tratores”.”Em algumas unidades de produção, centenas, se não milhares, de máquinas estão à espera de peças para montagem final.” Nesse contexto, os distribuidores são forçados a encontrar soluções alternativas complexas e mais caras para fornecer aos agricultores equipamentos de segunda mão.

Fretes nas alturas

Além dos maiores custos de produção, também as despesas com transporte aumentaram de forma significativa. As taxas de frete de contêineres aumentaram drasticamente entre janeiro de 2019 e março de 2022. O ano de 2021 teve um aumento especialmente acentuado nas taxas globais de frete, atingindo um preço recorde de quase US$ 10.400 em setembro de 2021. Em março de 2022, o índice global de taxa de frete caiu para US$ 8.200.

Índice de taxas de frete. Fonte: Statista

Esta queda, como evidenciado pelo gráfico acima, está longe, porém, de servir de alívio. Os preços de frete estão muito mais caros do que nos anos anteriores, trazendo um componente inflacionário significativo para o comércio mundial. No caso dos vinhos europeus, de longe os mais exportados ao redor do mundo, o impacto é significativo.

A expectativa, deste modo, é que esta forte elevação, tanto nos custos de produção como de transporte, seja majoritariamente repassada ao consumidor final. Para quem gosta de vinhos, duas alternativas restaram: pagar mais caro ou consumir o que ficou guardado na adega, ao menos até que ocorra algum tipo de normalização nos mercados.   

Fontes: Vitisphere; Statista

Imagem: mohamed Hassan via Pixabay

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