Quando o Ocidente e o Oriente se encontraram: conheça o papel do vinho neste evento histórico

Foi através das narrativas de Marco Polo, datadas do século XII, que muita gente se familiarizou com a Rota da Seda. Mas não foi este explorador veneziano o primeiro a percorrer este longo caminho que ligava a Europa ao leste da Ásia, principalmente a China. Esta rota, por séculos uma das mais importantes do mundo, foi resultado do esforço de muitas gerações. E o resultado foi o estabelecimento do comércio regular entre estas duas partes do mundo.

Dentro desta longa soma de esforços, não há como negar o papel fundamental da dinastia Han, que reinava na China no século II antes de Cristo. E uma das missões pioneiras foi a do General Zhang Quian. Ele saiu da província de Xinjiang em 138 a.C. e atingiu o vale de Fergana na Ásia Central, atualmente dividido por Usbequistão, Quirguistão e Tajiquistão.

Vinhedos e mais vinhedos

E o vale de Fergana não era um local qualquer. Habitado por povos de origem indo-europeia, foi nesta região que o macedônia Alexandre, o Grande, fundou, em 329 a.C., Alexandria Eschate, cujo nome significa a “Alexandria mais distante” (Alexandre fundou diversas cidades com este nome, inclusive a que ainda existe hoje no Egito). Era uma sociedade evoluída, com cidades organizadas e luxuosas.

Mas foi o campo e seus frutos que mais fascinaram os chineses. De um lado, os cavalos de grande porte, algo que não existia na China, e alguns cereais e plantas, como a alfafa. Mas o que mais chamou a atenção foram as vastas plantações de uvas, possivelmente no ponto mais distante ao oeste onde a Vitis vinifera crescia em sua forma nativa.

Uvas e vinhos

Zhang Quian ficou impressionado com a bebida feita a partir destas uvas, o vinho. Segundo os relatos da expedição chinesa, membros mais favorecidos desta sociedade guardavam, por 10 anos ou mais, milhares de litros de vinho. O general chinês teria provado este líquido e rapidamente tomou uma decisão. Além de cavalos e cereais, levaria tanto as uvas como o vinho para a China.

A região de Fergana, até hoje um importante celeiro agrícola dentro de uma área com grande concentração de desertos e altas montanhas, foi chamada pelos chineses de Dayuan. Linguistas acreditam que o nome Dayuan pode ser uma transliteração da palavra Yona, usada para designar os gregos, que ocuparam a região do século IV ao século II a.C.

Ponto de partida para o comércio

A área do vale de Fergana teria sido, portanto, o teatro da primeira grande interação entre uma cultura urbanizada falando línguas indo-europeias e a civilização chinesa. E isso foi um dos fatores fundamentais que levaram à abertura da Rota da Seda, a partir do século I a.C. Teria sido também a primeira experiência dos chineses com vinhos elaborados a partir da Vitis vinifera.

Na China já existiam uvas, porém de outras espécies. A expedição de Zhang Quian teria sido a primeira a levar a mais nobre das espécies de uva ao leste da Ásia. Rapidamente, as videiras de Vitis vinifera teriam sido plantadas no Palácio Imperial chinês, em Chang’an (que posteriormente seria o ponto inicial da Rota da Seda). O passo seguinte foi usar estas uvas para produzir vinhos para os imperadores da dinastia Han.

Isso evidencia que, no momento no qual Ocidente e Oriente se encontraram, o vinho desempenhou um papel muito importante. O vinho atuou como um verdadeiro embaixador neste marco da história mundial, abrindo caminho para um longo e proveitoso fluxo de comércio que vem durando dezenas de anos.

Fontes: Ancient Wine, Patrick McGovern; Britannica; Wikipedia, McGill University

Imagem: Hassan Ahmed via Pixabay

O post Quando o Ocidente e o Oriente se encontraram: conheça o papel do vinho neste evento histórico apareceu primeiro em Wine Fun.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.